Inquietação

Fiquei vazia de raízes porque fui sendo ensinada que as grandes origens delas nem existiam ou, se existiam, sub-existiam. Perdida de mim, assim como meu próprio país. Colonizada. Colonizado.
No macro, me perco. Permito o olhar para mim. É preciso sustentar para ser sincero. Ei bixinha, menos cobrança, é sobre o melhor do momento em coexistência com a coerência.

Dia a dia vou me curando-aprendendo. Reaprendendo. Quero confiar. Abrir mão de tanta necessidade de justificar. Uma batalha por dia, respira.

Já não me interessa tanto a culpa. Nesses tantos aprendizados aprendi que ela fica pequenina-impotente sobre mim se não alimentada. Descubro dia a dia como sou eu que decido nutrí-la. Descubro que ela é armadilha.

Hoje, um pouco mais do que ontem, anseio escrever a minha própria história. Um passo a passo para aprender, inclusive, o som da minha voz. Não como acreditei que queriam ouvir, mas a que me faz gostar de viver falar. Será uma luta para toda uma existência? Não sei dizer. Ufa. Liberdade. Que bom admitir o não-saber.

Agradeço com todo meu ser esse propósito. "Sou porque somos" então se me curar nos curamos? Sim. Confirmo isso nas ondas que reverberam dia a dia, nas sensações que me fazem vibrar.

Sempre tanto mais a falar. Frequentemente me pego com dificuldade pra calar.

Hoje, desapegada da culpa, entendo: acumulei tanto.
Ao dividir vou despesando.
Gosto de criar palavras.
Gosto de criar possíveis.
Gosto de costurar a narrativa que quero contar.
Aprendo constantemente que tudo sempre depende do olhar.

Palavras ressoam. Em nossa história, assim foi e assim é.

Vou escolhendo as que de mim ressoarão. Tolice se apegar ao não-falar por receio da ausência de respostas no fora-de-mim. Ao aprender fazendo, relembro que a maior força vem justamente dos meus próprios movimentos. Serena, respiro: se houver silêncio no externo, há força dentro. Há muitos sussuros de outras vidas. Tranquilizo confiando: é preciso paz. É preciso sabedoria. Acima de tudo, amor. Se ame primeiro. E nunca esqueça da atenção. Quando se perder, respire e repita a oração. Se perdoe e acalme seu coração.

Também tenho recebido a grandiosidade do silêncio, do não estar, não ocupar.
Compreendi: é preciso espaço para criar.
Sorrio. Confio. O que tiver que vir, virá.

Assim será.

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